Paraná

Matrículas na rede particular de educação caem 12% no Paraná

Análises feitas apontam que um dos motivos da queda foi a diminuição das rendas familiares durante a pandemia

Da Redação ·
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fonte: Pixabay

As escolas particulares de educação básica do Paraná registraram uma evasão de matrículas nos últimos dois anos, numa situação que obrigou muitas instituições de ensino pelo estado a fechar as portas em meio à pandemia do novo coronavírus.

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Segundo dados levantados pelo Bem Paraná com base no Censo Escolar, divulgado recentemente pelo Ministério da Educação, entre o final de 2019 e o final de 2021 o total de matrículas nas instituições de ensino privadas teve queda superior a 12% no estado. Isso significa a perda de mais de 50 mil matrículas da educação infantil ao ensino médio, estando inclusos, também, a educação profissional técnica de nível médio, a Formação Inicial Continuada (FIC) e a Educação Especial no levantamento.

Em 2019, ano anterior ao início da pandemia do novo coronavírus, as escolas particulares de educação básica do Paraná somavam 455.405 matrículas. Dois anos depois, em 2021 já eram 399.815 alunos matriculados, o que representa um decréscimo de 55.590 matrículas ou ainda uma redução de 12,2%.

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Com uma debandada tão considerável de estudantes, o número de estabelecimentos privados na educação básica também acabou sendo afetado. Em 2019, havia 2.180 instituições particulares atendendo aos estudantes paranaenses. Em 2021, o número já era de 2.096, com redução de 3,85%.

Douglas Oliani, presidente do Sindicato dos Estabelecimentos Particulares de Ensino do Estado do Paraná (Sinepe-PR), destacou que, de modo geral, não apenas as entidades educacionais, mas todos os segmentos da economia foram impactadas no período pandêmico. “Em âmbito escolar, todas sofreram igualmente os impactos do isolamento social. Nas escolas menores, com menor número de alunos, os efeitos foram mais visíveis”, disse.

Ricardo Jacomassi, sócio e economista-chefe da TCP Partners, que, recentemente, realizou um estudo que analisou a educação básica brasileira, por sua vez, é ainda mais enfático em sua análise. “Eu não tenho receio algum em dizer que [a pandemia] foi o momento mais doloroso para o setor [da educação]. Nem na década de 1980 ou na reabertura do plano real vimos algo assim. Foi o pior momento na história do setor", declarou.

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Ainda segundo Jacomassi, a pandemia implicou em um grande aumento de custos para as instituições de ensino, que, do dia para a noite, tiveram que preparar professores, funcionários e material para uma nova realidade com ensino à distância. Essa nova realidade implicou também na compra de equipamentos, que estavam superinflacionados por conta da lei de oferta e demanda. O que acabou acontecendo, então, é que as pequenas e médicas empresas foram as que mais sofreram.

Ao mesmo tempo, aponta o economista, um movimento que vem acontecendo desde 2016 começou a se acelerar: o empoderamento de grandes grupos educacionais, cada vez mais preponderantes na Educação Básica. “É uma tendência que continua e agora começa a se acelerar. Grupos educacionais tem visão de fluxo de caixa e do aluno. Entra na creche, vai pro fundamental, ensino médio, depois ingressa no ensino superior… Ele [grupo educacional] vai ter de 13 a 14 anos de fluxo de caixa, e isso é muito relevante para quem atua na área da Educação. Vemos uma integração maior, outros tipos de ensino orientando essa lógica”, comenta.

O estudo da TCP Partners, que analisou os dados nacionais do Censo Escolar de 2021, revela que entre maio de 2020 e fevereiro de 2022 a educação básica privada perdeu 6.916 escolas (matriz e filial), tornando-se um marco histórico para o setor. O segmento da Pré-Escola foi o mais impactado com fechamento de 16,4%, seguido das Creches (-14,5%), escolas do Ensino Fundamental (-11,3%), e por último, as escolas do Ensino Médio com queda de 5%.

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A análise ainda revela que um dos motivos para os cancelamentos de matrículas que afetaram as escolas privadas foi a diminuição da renda das famílias. De acordo com estudo do IBRE (Instituto Brasileiro de Economia) junto com a FGV (Fundação Getúlio Vargas), o brasileiro perdeu em média 9,4% da renda e outros R$14,3 bilhões com mortes causadas pelo vírus. O desemprego atingiu o recorde histórico de 14,9% no pico da pandemia e com gastos com saúde e inflação, muitos brasileiros tiveram que tomar decisões para sobreviver.

Além de lidar com os cancelamentos de matrículas e inadimplência, as escolas tiveram outros custos. Em dois anos de pandemia (2020/21), o preço da energia elétrica para as escolas aumentou 16,07%, os aluguéis indexados pelo IGPM/FGV tiveram alta de 40,9% e os reajustes salariais chegaram a 11,3%.


Fonte: Informações do Bem Paraná.

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