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Comissão de Ética da CBF agora vê assédio e aumenta suspensão de Caboclo

Da Redação ·

A Comissão de Ética da Confederação Brasileira de Futebol aumentou nesta segunda-feira a suspensão imposta ao presidente afastado da CBF, Rogério Caboclo, para 21 meses - seis a mais que o definido inicialmente, em 24 de agosto. De forma unânime, o colegiado acatou parcialmente recurso apresentado pela vítima e corrigiu o teor da punição de "conduta inapropriada" para "assédio".

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A nova sanção precisa passar pelo crivo da Assembleia Geral da entidade, formada pelos presidentes das 27 federações. Se for acatada, Caboclo ficará afastado de todas as atividades ligadas ao futebol até março de 2023. Oficialmente, seu mandato termina no mês seguinte.

A acusação contra Rogério Caboclo foi protocolada em junho, e desde então ele está afastado do cargo. Em agosto, a Comissão de Ética orientou o afastamento de Caboclo por 15 meses. Na ocasião, o colegiado entendeu que a vítima não havia sofrido assédio, apenas que o presidente afastado havia tido "conduta inapropriada" com ela. A decisão causou revolta, e a vítima recorreu. Nesta segunda, a decisão foi revista.

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"A decisão (anterior) não considerou a possibilidade de assédio no sentido mais amplo, fazendo uma interpretação eminentemente jurídica da questão. Os pareceres apresentados, todos eles voltados para o mundo jurídico, em especial o penal, olvidam-se da análise ética e da possibilidade de interpretar o assédio em seu sentido amplo, não só como violação à legislação nacional", pontuou o relato Amilar Fernandes Alves, em seu novo parecer. "Não há como deixar de condenar os atos com a capitulação ética do assédio."

Os integrantes da Comissão de Ética ressaltaram no texto que "impressiona que o próprio denunciado (Rogério Caboclo) não nega os inaceitáveis diálogos com a denunciante, apenas cuida de minorar sua gravidade".

Além da acusação de assédio, os membros da comissão também decidiram punir Caboclo por usar recursos da CBF para comprar bebidas alcoólicas para consumo próprio. "Não é esperado do administrador probo o emprego de recursos da entidade para satisfação de desejo personalíssimo", diz o parecer.

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CONSEQUÊNCIAS - Se acatada pela Assembleia Geral, a nova suspensão tira de Rogério Caboclo a chance de concorrer à reeleição. Tradicionalmente, a eleição para presidente da CBF é realizada um ano antes do término do mandato - ou seja, deverá acontecer em abril do próximo ano -, quando o cartola ainda estará cumprindo suspensão.

O dirigente também não poderá acompanhar a delegação brasileira na Copa do Mundo do Catar - isso, claro, se a seleção confirmar a vaga -, marcada para os meses de novembro e dezembro do próximo ano. Nesse caso, seria a segunda vez consecutiva que a seleção brasileira estaria num Mundial sem seu presidente eleito. Em 2018, Marco Polo Del Nero estava afastado por decisão da Fifa. O Estadão aguarda posicionamento de Rogério Caboclo.