Economia

Ibovespa fecha em queda de 0,87%, com Ômicron e Powell

Após operar boa parte da tarde no patamar dos 100 mil pontos, o índice fechou cotado em 101.915,45 pontos, queda de 0,87%

Da Redação ·
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fonte: Pixabay\ ilustração

Nem mesmo a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) dos Precatórios em seu primeiro desafio no Senado, na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), foi suficiente para segurar o mau humor que imperou na bolsa brasileira hoje. A perspectiva de que os Estados Unidos acelerem a retirada de estímulos, o tapering, após o presidente do Federal Reserve (Fed), Jerome Powell, reconhecer que a inflação deve seguir elevada até o meio do ano que vem, se uniu às incertezas dos últimos dias pela ameaça da nova variante da covid-19, Ômicron, e levou o Ibovespa ao pior nível de fechamento desde 6 de novembro do ano passado (100.925,11 pontos)

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Após operar boa parte da tarde no patamar dos 100 mil pontos, o índice fechou cotado em 101.915,45 pontos, queda de 0,87%. O resultado de hoje consolidou o quinto recuo mensal seguido do principal índice da bolsa brasileira, de 1,53%. Uma queda tão extensa não é vista desde 2013. Em 2021, o índice acumula perda de 14,37%.

Pela manhã, o Ibovespa chegou operar no positivo, quando tocou a máxima do dia, aos 103.066,44 e alta de 0,25%. No entanto, entrevista do CEO da farmacêutica Moderna, Stéphane Bancel, prevendo que as vacinas existentes serão muito menos eficazes no combate à nova cepa de coronavírus do que as anteriores, começou a azedar o humor ainda na primeira etapa dos negócios.

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No início da tarde, as declarações do presidente do Fed selaram o tom do que seria o restante da sessão. Após Powell reconhecer ao Comitê Bancário do Senado que a inflação dos Estados Unidos deve ficar elevada até meados do ano que vem e que "talvez seja adequado" encerrar o tapering, como é conhecido o processo de redução do volume de compra de títulos, alguns meses antes, o Ibovespa perdeu, em 10 minutos, o patamar dos 102 mil pontos e, rapidamente, dos 101 mil. Na mínima do dia, chegou a 100.074,61 (-2,6%). O movimento acompanhou a derrocada das bolsas americanas, com os principais índices em Nova York caindo acima de 1,5%. O Dow Jones fechou o dia em queda de 1,86%.

"Quando o Powell abriu a boca, a bolsa degringolou. Ele sempre teve esse discurso de que inflação é passageira, que é transitória, que não é para se preocupar. E hoje ele virou o lado e confirmou que traz preocupação essa inflação mais persistente e o resultado foi claro", destacou Helder Wakabayahi, analista de investimentos da Toro, completando: "A gente vê um possível aumento de juros nos EUA, o pessoal vai tentar buscar investimento de menos risco, o que impacta a gente demais, sai capital daqui".

Após as declarações de Powell, o presidente do Fed de St. Louis, James Bullard, completou ainda que, embora as últimas projeções mostrem que a inflação está desacelerando para mais perto da meta de 2% no próximo ano, há razões para temer que ela possa ser mais persistente do que o esperado.

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Os ativos chegaram a ter uma leve melhora no meio da tarde - que não se sustentou -, quando o relatório do senador Fernando Bezerra para a PEC dos Precatórios foi aprovado na CCJ. O ânimo voltou a melhorar, com o índice recuperando os 101 mil pontos, quando Bezerra afirmou que o governo teria votos para aprovar a PEC no plenário do Senado ainda hoje. O mercado monitora, contudo, quais serão as mudanças negociadas no texto para que o Palácio do Planalto consiga maioria para aprovar a proposta.

O texto muda a regra do teto de gastos e abre R$ 106,1 milhões no Orçamento, manobra feita sobretudo para comportar o Auxílio Brasil estendido desejado pelo presidente Jair Bolsonaro. Apesar de complicar ainda mais a confiança nas contas públicas, o entendimento é de que qualquer outra solução à essa altura só traria mais incertezas e, possivelmente, ainda mais estragos à confiança do investidor.

O sócio da Finacap Investimentos, Alexandre Brito, pontua que, apesar de as incertezas externas em relação a uma nova onda de covid-19 e à nova variante, ao efeito da inflação e da normalização monetária no crescimento global pesarem nas bolsas ao redor do mundo e, sobretudo, em emergentes, o índice brasileiro tem sofrido com mais intensidade pela ameaça política aos fundamentos fiscais do país. Segundo ele, isso responderia por boa parte da derrocada dos últimos cinco meses.

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"O Brasil foi o país que mais sofreu, se pegar os mercados emergentes, a bolsa brasileira em dólar, a nossa moeda se desvalorizou muito em relação às demais, foi realmente a grande questão aguda. A gente sofreu bem mais do que os demais", disse. Em dólar, o Ibovespa encerrou novembro em 18.084 pontos.

Para dezembro, a expectativa dos analistas não é boa. Com o ciclo de alta de juros para conter a inflação, a migração de investidores da bolsa para a renda fixa deve continuar ocorrendo. "Não estou animado. Se for algo bom, é aprovar essa PEC (dos precatórios), mas não sei se vai dar tempo. Se aprovar pode dar uma segurada de preços", pontuou Wakabayahi, da Toro. O Ibovespa para dezembro caía 0,82% às 18h22, aos 102.465 pontos.

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