Cotidiano

Satélite criado por adolescentes brasileiros lançado ao espaço é direcionado à EEI

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​Satélite criado por adolescentes brasileiros foi lançado ao espaço - Foto: EBC
​Satélite criado por adolescentes brasileiros foi lançado ao espaço - Foto: EBC

satélite Tancredo 1, desenvolvido por alunos da Escola Municipal Presidente Tancredo de Almeida Neves, em Ubatuba, no Litoral de São Paulo, foi lançado ao espaço na sexta-feira, 9, do Centro Espacial Tanegashima, da Agência Japonesa de Exploração Aeroespacial (Jaxa). O satélite foi direcionado à Estação Espacial Internacional (EEI), para ser colocado em órbita. 

Este é o primeiro satélite brasileiro produzido por estudantes da educação básica, alunos na faixa etária de 16, 17 anos, conforme o coordenador do projeto, o físico Cândido Osvaldo de Moura, que dá aulas de Matemática na Escola Tancredo Neves. Os estudantes são os mais jovens participantes da pesquisa espacial, informaram diretores da empresa comercializadora desses satélites, radicada nos Estados Unidos. 

A primeira etapa do lançamento foi transmitida ao vivo pela Jaxa. A expectativa é que o satélite seja relançado ao espaço no dia 19 próximo e, a partir do dia 21, já esteja em órbita. O UbatubaSat é o primeiro satélite totalmente desenvolvido no Brasil a funcionar em órbita, de onde poderá registrar a distância de sondas espaciais, detectar a formação de bolhas no espaço e também fazer contato com radioamadores e transmitir mensagens que foram gravadas por estudantes.

Satélite vai fazer contato com radioamadores e transmitir mensagens que foram gravadas - Foto: Divulgação

"A ideia de trabalharmos neste satélite surgiu em 2010, a partir da leitura de um artigo da revista de divulgação científica 'Super Interessante'", lembra Cândido de Moura. "O artigo falava de uma empresa startup que vendia kits de satélites e do serviço de colocação destes satélites em órbita. Na realidade, esta empresa estava desenvolvendo um veículo lançador, um foguete, com objetivo de fazer turismo espacial. Foi através deste meio que a empresa criou as possibilidades para também vender satélites e sua colocação em órbita", detalha Cândido. 

Segundo o professor, o seu foco e o da Escola Municipal Presidente Tancredo de Almeida Neves era pedagógico: "Nossa intenção era colocar os alunos para realizar um experimento científico e, assim, participar de um programa científico real, possibilitando o contato direto dos alunos com pesquisadores espaciais. Após entrar em contato com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), soubemos que os físicos e astrônomos do Instituto queriam enviar ao espaço uma Sonda de Langmuir e aí ideia do satélite foi viabilizada", afirma Cândido.

Lançamento pela agência espacial do Japão
O fato de o satélite ter sido lançado pela agência espacial do Japão  explicado pelo professor. Segundo ele, quando o kit para satélites foi adquirido, os norte-americanos disseram duas coisas que lhe chamaram muito a atenção: a primeira, a de que alunos brasileiros seriam os mais jovens participantes da pesquisa espacial se quisessem mesmo levar o projeto em frente; e a segunda, a de que para executar efetivamente o projeto seria necessário um consistente suporte técnico. 

"Inicialmente, contávamos com esta mesma empresa dos EUA, mas, como os seus lançamentos começaram a retardar 2, 3 anos, decidimos buscar alternativas. Soubemos então que a Agência Espacial Brasileira (AEB) havia contratado vários voos com a Jaxa para dar andamento ao seu programa Satélites Universitários. Ao saber do nosso projeto, a AEB dedicou um desses voos para nós, e ele foi lançado na sexta-feira, dia 9", relata. 

Alunos e professores envolvidos no projeto do satélite Tancredo 1 - Foto: Divulgação

Experiência adaptada para os mais jovens
Segundo Cândido, este tipo de satélite pequeno foi criado nos anos 1990 para servir como experiência pedagógica nas universidades. Com apoio técnico do Inpe) e da AEB, o professor adaptou a experiência para os alunos mais jovens.

Três anos
O satélite levou três anos para ficar pronto. A construção foi conduzida por seis alunos, mas desde 2010 cerca de 400 estudantes já passaram pelo projeto, que engloba outras atividades de desenvolvimento científico.

Alunos em contato com a ciência
Cândido e seus alunos acompanharam o lançamento do satélite da sede do Inpe, em São José dos Campos (SP). “A maior conquista é o aprendizado do aluno. O que a gente quis foi colocar [os alunos] em contato com a ciência e a tecnologia desde cedo. Este sucesso a gente já conquistou”, diz Cândido.