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Governo quebra protocolo e revela chefe da CIA no Brasil

RUBENS VALENTE E PATRÍCIA CAMPOS MELLO

BRASÍLIA, DF, E SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O GSI (Gabinete de Segurança Institucional), órgão do Palácio do Planalto responsável pela área de inteligência, revelou um agente da CIA, serviço secreto dos EUA, ao publicar seu nome na agenda pública de visitas.

Segundo a lista de compromissos do ministro-chefe do GSI, general Sérgio Etchegoyen, divulgada no site do GSI em 9 de junho, Duyane Norman era ou é o "chefe do posto da CIA em Brasília".

A indiscrição foi revelada pelo analista da consultoria Eurasia João Augusto de Castro Neves nesta segunda (19).

Em nota à reportagem, o GSI afirmou que Norman "realizou uma visita de cortesia ao ministro do GSI por estar retornando aos EUA após o término de sua missão no Brasil".

Segundo o GSI, a agenda do ministro "é um dos instrumentos da transparência ativa" previstos na Lei de Acesso à Informação, de 2012, e "nas audiências são registrados os nomes e os cargos das autoridades, observando-se, sem exceção, o princípio da publicidade previsto no artigo 37 da Constituição".

Em nota, a Embaixada dos EUA em Brasília afirmou ter tomado conhecimento dos relatos: "Seguindo nossa política, não podemos confirmar nem negar os relatos".

Em uma rede social profissional, uma pessoa com o mesmo nome se apresenta como morador de Brasília e funcionário da área de política do Departamento de Estado dos EUA, sem menção à CIA.

Uma busca por Duyane Norman na internet revela que uma segunda agenda oficial o relacionou à CIA no Brasil. Em 11 de julho de 2016, Norman e Joseph Direnzo foram recebidos pelo diretor-geral da Polícia Federal, Leandro Daiello Coimbra, na sede da PF em Brasília. A agenda pública cita os dois nomes ao lado da expressão "CIA". A PF não se manifestou até a conclusão deste texto.

A reportagem apurou que, no governo norte-americano, a divulgação do nome foi recebida com estranheza e encarada como erro.

O chefe do escritório da CIA coordena todos os espiões dos EUA no país. O governo americano nunca admite a existência de um escritório da CIA. E não revela os nomes dos chefes, a não ser para o alto escalão de inteligência do país onde está o escritório.

Mas como o funcionário está indo embora, não haverá maiores consequências para a situação de Norman no Brasil, no entender das fontes consultadas pela reportagem.

Em outros países, a revelação da identidade do chefe do escritório local da CIA gerou problemas. No Paquistão, os serviços secretos do governo vazaram para a imprensa, em 2011, o nome do chefe da agência no país, e os jornais publicaram. O americano recebeu ameaças de morte e teve de deixar o país.

Em 2014, a Casa Branca revelou acidentalmente o chefe da CIA no Afeganistão em e-mail a 6.000 jornalistas.

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