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USP quer estimular aluno da rede estadual de SP a prestar a Fuvest

PAULO SALDAÑA

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Um projeto da USP (Universidade de São Paulo) vai estimular alunos da rede estadual a prestarem o vestibular da Fuvest. O objetivo é ampliar a inclusão na instituição.

A iniciativa, em parceria com a Secretaria Estadual de Educação, prevê simulados, curso on-line e isenção de taxa de inscrição da Fuvest (de R$ 160) para alunos da rede com boa performance.

Intitulado "Vem pra USP", o projeto deve ter início no segundo semestre, com a chamada Competição USP de Conhecimentos -uma prova on-line. A expectativa é que 1,5 milhão de estudantes do ensino médio participem.

Os mais bem colocados de cada escola participante farão uma segunda prova, dessa vez presencial. Ambas avaliações serão produzidas pela Fuvest, fundação que organiza o vestibular a USP.

Os alunos do 3º ano do ensino médio, participantes das duas fases, receberão isenção da taxa do vestibular. Também participarão de curso preparatório on-line da USP e de visitas monitoradas em unidades da universidade, como o Instituto Butantan.

As inscrições serão abertas em agosto, e as provas, realizadas em setembro. "É um projeto audacioso", disse o secretário de Educação, José Renato Nalini.

Mais de 80% dos estudantes de ensino médio em São Paulo estudam em escolas públicas. Sobretudo na rede estadual de ensino.

Neste ano, somente 37% dos ingressantes da USP vieram de escolas públicas. Mas o índice é inferior em carreiras concorridas, como medicina e engenharia.

A meta estipulada pela USP é ter 50% dos ingressantes oriundos de escolas públicas até 2018.

INCLUSÃO NA USP

O número total de inscritos na Fuvest vem caindo nos últimos anos. No ano passado, foram 136 mil, contra 172 mil em 2014.

O problema que a universidade quer atacar agora é a baixa participação de estudantes de escola pública no vestibular da Fuvest. Em 2016, último ano com dados disponíveis, só 31% dos inscritos eram da rede.

A USP oferece desconto na taxa da Fuvest, que varia de 50% a 100%, para quem comprova que não pode pagar. Só 8,3% dos 136 mil inscritos de 2017 ficaram isentos.

"Esse é um dos limitantes [ter poucos inscritos de escola pública], e só com as estratégias atuais não conseguiremos aumentar a inclusão", disse o reitor da USP, Marco Antonio Zago.

"Embora o vestibular possa parecer justo, ele não é. Porque os estudantes secundaristas de famílias menos abastadas estão em escolas que o treinamento para o vestibular não existe", disse o reitor, durante evento de assinatura da parceria com a pasta da Educação nesta segunda-feira (19) .

PORTAS

A Fuvest já adota um sistema de bônus para escola pública, que oferece até 25% de incremento na nota. A partir de 2016, diversificou a porta de entrada. Além da Fuvest, os candidatos podem ingressar na USP com a nota do Enem.

Mas coube a cada unidade a decisão de colocar vagas no Sisu (Sistema de Seleção Unificada, que usa a nota do Enem) e reservar parte delas para escola pública. O curso de Medicina, por exemplo, nem entrou no Sisu.

Em 2017, 21% das vagas foram selecionadas pelo Sisu. Pouco mais da metade delas eram exclusivas para escola pública, com percentual menor para pretos, pardos e indígenas. A USP promete ampliar a reserva de vagas.

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