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Incêndio em Portugal ainda não está controlado

GIULIANA MIRANDA, ENVIADA ESPECIAL

PEDRÓGÃO GRANDE, PORTUGAL (FOLHAPRESS) - Uma fumaça negra e espessa, que dificulta a visão e a respiração, recebe quem se aproxima de Pedrógão Grande, no centro de Portugal, epicentro do maior incêndio conhecido na história do país.

Um indício de que, quase 48 horas depois do início das chamas, o fogo segue ativo na região.

A preocupação das autoridades agora é que as chamas de Pedrógão Grande e arredores acabem se juntado às de um outro incêndio, não muito longe, em Góis, criando uma megafrente de labaredas.

Atualmente, há vários focos de incêndio em Portugal, que vive um momento de poucas chuvas e altas temperaturas. Segundo as autoridades do país, cerca de 2.000 pessoas trabalham nesta manhã no combate ais incêndios.

O balanço das perdas ainda não está fechado. Até agora, são pelo menos 62 mortos, outros 62 feridos e 150 desabrigados.

Números que, segundo o próprio primeiro-ministro português, António Costa, devem aumentar à medida que os bombeiros e as autoridades policiais forem conseguindo chegar às áreas atingidas, muitas delas de difícil acesso.

Das vítimas fatais das chamas, 47 estavam na rodovia nacional 236, que ganhou a alcunha de "estrada da morte" entre os portugueses. As pessoas acabaram encurraladas pelas chamas e sucumbiram em um trecho de cerca de 500 metros da via.

Passando de carro à luz do dia pela região, não é difícil perceber como isso aconteceu.

As estradas de Pedrógão Grande e adjacências são cercadas por uma vegetação espessa, sobretudo com grande pinheiros e eucaliptos. Um combustível rápido para as chamas.

Além do calor do fogo, a fumaça preta e densa minou a visibilidade acabou confundindo os motoristas que tentavam usar a rodovia para escapar.

Há relatos de mortos também em acidentes de carro e atropelamentos na tentativa desesperada de escapar.

VULNERÁVEIS

O fogo atingiu em cheio uma área rural, de difícil acesso e com uma população bastante envelhecida.

Fato que chegou a ser destacado no discurso feito pelo presidente português, Marcelo Rebelo de Sousa, em seu pronunciamento à população na noite de domingo.

"Nesta hora há também interrogações e sentimentos que não podem deixar de nos angustiar. A começar por um sentimento de crescida injustiça, porque a tragédia atingiu aqueles portugueses de quem menos se fala, de um país rural, isolado, com populações dispersas, mais idosas, mais difíceis de contactar, de proteger e de salvar. Guardemos contudo no imediato estes e outros sentimentos que legitimamente nos sobressaltam, inconformistas que somos no mais fundo do nosso coração", discursou.

CRÍTICAS

Após a comoção inicial da tragédia, têm se intensificado as críticas à demora na chegada das equipes de socorro e a falta de planejamento de rotas de fuga em áreas que já são, tradicionalmente, afetadas por fogos florestais.

A ministra da Administração Interna, Constança Urbano de Sousa, foi até o local e tentou minimizar críticas de moradores de que o trabalho de auxilio teria sido lento.

"Este é o momento para combater [o incêndio], não para fazer avaliações", disse.

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